O NOVO TESTAMENTO

14/12/2011 09:53

 

 
124  "A Palavra de Deus, que é força de Deus para a salvação de todo crente, é apresentada e 
manifesta seu vigor de modo eminente nos escritos do Novo Testamento." Estes escritos fornecem-nos a 
verdade definitiva da Revelação divina. Seu objeto central é Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, seus 
atos, ensinamentos, paixão e glorificação, assim como os inícios de sua Igreja sob a ação do Espírito Santo.
125 Os Evangelhos são o coração de todas as Escrituras, "uma vez que constituem o principal 
testemunho da vida e da doutrina do Verbo encarnado, nosso Salvador".
126  Na formação dos Evangelhos podemos distinguir três etapas:
1. A vida e o ensinamento de Jesus. A Igreja defende firmemente que os quatro Evangelhos, "cuja 
historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente aquilo que Jesus, Filho de Deus, ao viver entre os 
homens, realmente fez e ensinou para a eterna salvação deles, até o dia em que foi elevado".
2. A tradição oral. "O que o Senhor dissera e fizera, os  apóstolos, após a ascensão do Senhor, 
transmitiram aos ouvintes, com aquela compreensão mais plena de que gozavam, instruídos que foram pelos 
gloriosos acontecimentos de Cristo e esclarecidos pela luz do Espírito de verdade."
3. Os Evangelhos escritos. "Os autores sagrados escreveram os quatro Evangelhos, escolhendo certas 
coisas das muitas transmitidas ou oralmente ou já por escrito, fazendo síntese de outras ou explanando-as 
com vistas à situação das igrejas, conservando, enfim, a forma de pregação, sempre de maneira a transmitirnos, a respeito de Jesus, coisas verdadeiras e sincera. "
127 O Evangelho quadriforme ocupa a Igreja um lugar único, como atestam a veneração que lhe 
tributa a liturgia e o atrativo incomparável que desde sempre tem exercido sobre os santos: Não existe 
nenhuma doutrina que seja melhor, mais preciosa e mais esplêndida que o texto do Evangelho. Vede e 
retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo, ensinou com suas palavras e realizou com seus atos. É acima de 
tudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações; nele encontro tudo o que é necessário para 
minha pobre alma. Descubro nele sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos.

A UNIDADE ENTRE O ANTIGO E O NOVO TESTAMENTO

128  A Igreja, já nos tempos apostólicos, e depois constantemente em sua Tradição, iluminou a 
unidade do plano divino nos dois Testamentos graças à tipologia. Esta discerne, nas obras de Deus contidas 
na Antiga Aliança, prefigurações daquilo que Deus realizou na plenitude dos tempos, na pessoa de seu Filho 
encarnado.
129  Por isso os cristãos lêem o Antigo Testamento à luz de Cristo morto e ressuscitado. Esta leitura 
tipológica manifesta o conteúdo inesgotável do Antigo Testamento. Ela não deve levar a esquecer que este 
conserva seu valor próprio de Revelação, que o próprio Nosso Senhor reafirmou. De resto também o Novo 
Testamento exige ser lido à luz do Antigo. A catequese cristã primitiva recorre constantemente a ele.Segundo um adágio antigo, o Novo Testamento está escondido no Antigo, ao passo que o Antigo é
desvendado no Novo "Novum in Vetere latet et in Novo Vetus patet".
130 A tipologia exprime o dinamismo em direção ao cumprimento do plano divino, quando "Deus 
será tudo em todos" (1 Cor 15,28), Também a vocação dos patriarcas e o Êxodo do Egito, por exemplo, não 
perdem seu valor próprio no plano de Deus, pelo fato de serem ao mesmo tempo etapas intermediárias 
deste plano.

V.  A SAGRADA ESCRITURA NA VIDA DA IGREJA

131 "É tão grande o poder e a eficácia encerrados na Palavra de Deus, que ela constitui sustentáculo 
e vigor para a Igreja, e, para seus filhos, firmeza da fé, alimento da alma, pura e perene fonte da vida 
espiritual." "É preciso que o acesso à Sagrada Escritura seja amplamente aberto aos fiéis."
132 "Que o estudo das Sagradas Páginas seja,  portanto, como que a alma da Sagrada Teologia. 
Da mesma palavra da Sagrada Escritura também se nutre salutarmente e santamente floresce o ministério 
da palavra, a saber, a pregação pastoral, a catequese e toda a instrução cristã, na qual deve ocupar lugar 
de destaque a homilia litúrgica."
133 A Igreja "exorta com veemência e de modo peculiar todos os fiéis cristãos... a que, pela
freqüente leitura das divinas Escrituras, aprendam 'a eminente ciência de Jesus Cristo”(Fl 3,8). “Com efeito, 
ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”.

RESUMINDO

134 Omnis Scriptura divina unus liber est, et hic unus liber est Christus, "quia omnis Scriptura divina de 
Christo loquitur, et omn is Scriptura divina in Christo impletur" - Toda a Escritura divina é um único livro, e este
livro único é Cristo, já que toda Escritura divina fala de Cristo, e toda Escritura divina se cumpre em Cristo.
135 "As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus e, por serem inspiradas, são
verdadeiramente Palavra de Deus. " 
136 Deus e o autor da Sagrada Escritura inspirar seus autores humanos; age neles e por meio dele. 
Fornece assim a garantia de que seus escritos ensinem sem erro a verdade salvífica.
137 A interpretação das Escrituras inspiradas deve antes de tudo estar atenta àquilo que Deus quer 
revelar por intermédio dos autores sagrados para nossa salvação. O que vem do Espírito só é plenamente 
entendido pela ação do Espírito.
138  A Igreja recebe e venera como inspirados os 46 livros do Antigo e os 27 livros do Novo 
Testamento.
139  Os quatro Evangelhos ocupam um lugar central, já que Cristo Jesus é o centro deles.
140  A unidade dos dois Testamentos decorre da unidade do projeto de Deus e de sua Revelação. O 
Antigo Testamento prepara o Novo, ao passo que este último cumpre o Antigo; os dois se iluminam 
reciprocamente; os dois são verdadeira Palavra de Deus.
141  "A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras da mesma forma como o próprio Corpo do 
Senhor": ambos alimentam e dirigem toda a vida cristã. "Tua Palavra é a lâmpada para meus pés, e luz
para meu caminho" (Sl 119,105[fca70] ).